Mittwoch, 29. April 2009

Vida tradicional

A camioneta em que viagava parou. Ia do Santo da Serra ao Funchal. Choviscava e fazia frio, embora já fosse Maio. Um dia cinzento, com nuvens baixas, quase à distância de mão. O casal entrou. Eram turistas. Ela sentou-se na bancada à frente da minha, ele dirigiu-se ao motorista e pediu, num inglês germânizado, dois bilhetes. Parecia um arbutre, era alto, magro e curvado. Estava, tal como ela, na casa dos sessenta. Depois sentou-se na bancada à frente dela. A camioneta arrancou, devorando curva atrás curva no seu percurso. Ele virou-se e pergunto-a se tinha os walking sticks. Ela tinha os seus, mas não os dele. Tinham ficado, estas bengalas pós-modernas, ao pé da paragem onde eles tinham entrado. Ele começo a argumentar com ela. - Tú é que as tinhas antes de entrarmos na camioneta. - Tinha as minhas, respondeu ela, deves ter-te esquecido delas na paragem. Ele deu um salto para frente, gritando - Stop! Stop! You must stop! Ela também levantou a sua voz e explicou a cena absurda - He forgot his sticks, please stop. Sorry.
O motorista parou a camioneta, abriu a porta e o homem saiu. Voltou, com as bengalas na mão e entrou sem dizer palavra. - Thank you, disse ela ao motorista. A camioneta arrancou e os dois continuaram a argumentar sobre quém era responsável pelas bengalas dele. De vez em quando, espreitava-se em baixo a bahia do Funchal. Era domingo e os homens da ilha vestiam fatos e chapeus, as mulheres vestidos e mantas. Iam às compras, à igreja, beber um copo. A vida na ilha é muito tradicional, diz-se.

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